Mosaico humano em defesa dos Corais da Amazônia

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Em defesa de um bioma marinho único e ainda pouco conhecido, revelado ao mundo em 2016 e já ameaçado, um grupo formado por mais de 500 pessoas formou um mosaico humano nas areias de uma das praias mais conhecidas do mundo, a de Copacabana, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (29). O recado foi claro: ‘Defenda os corais da Amazônia’ e ‘Petróleo não’.

Imagem de 100 metros de comprimento foi formada por mais de 500 pessoas
Mosaico humano de 100 metros de comprimento foi formada por mais de 500 pessoas (Foto: Fernanda Ligabue/Spectral Q/Greenpeace)

A ação foi articulada pela organização Greenpeace em parceria com o artista norte-americano John Quigley, especialista nesse tipo de arte, simbolizando o apoio da população à campanha.

Ao dizer não ao petróleo e defender os Corais da Amazônia, as crianças e jovens brasileiros também estão defendendo nosso futuro e protegendo nossos mares de possíveis vazamentos, com impactos devastadores. Eles são os representantes de nova geração de brasileiros que reconhecem a importância de acelerar a transição para fontes renováveis de energia e da proteção da natureza
John Quigley

Segundo a organização, que realizou expedições à costa do Amapá – onde está localizado o bioma –, duas petrolíferas, uma francesa e outra britânica, compraram direitos de exploração de blocos de petróleo próximos ao bioma. A atividade, defende o Greenpeace, traz risco de vazamentos.

A exploração de petróleo é uma atividade do passado. Diante de tantos acidentes que já vivenciamos, muitos que destruíram a vida marinha e as comunidades costeiras, não podemos aceitar as perfurações próximas aos Corais da Amazônia
Thiago Almeida, da Campanha de Clima do Greenpeace Brasil

Cerca de 200 eram estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro
Cerca de 200 eram estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro (Foto: Barbara Veiga/Spectral Q/Greenpeace)

Participaram da ação pelo menos 200 estudantes da rede pública de ensino do Rio de Janeiro.

Carne livre de desmatamento?

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O Greenpeace divulgou esta semana o relatório Carne ao Molho Madeira com informações sobre a política de aquisição de carne bovina oriunda da Amazônia de sete redes de supermercados – que juntas representam cerca de dois terços de todas as vendas de varejo em território nacional – e mapeia como as gigantes do setor vêm lidando com o problema. O resultado é que nenhuma delas atinge o ‘patamar verde’, ou seja, nenhuma das redes garante que 100% da carne que comercializa é livre de crimes socioambientais.

“Desde 2009 existem frigoríficos comprometidos com o desmatamento zero. Agora é a hora de os supermercados assumirem a mesma responsabilidade” Adriana Charoux, da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil

Dentre os analisados, o Walmart foi quem saiu na frente, com 62% dos requisitos considerados fundamentais. Atrás dele, o Carrefour atingiu 23%, enquanto o Grupo Pão de Açúcar (GPA), maior empresa do setor, apenas 15%. Na lanterna, o Cencosud alcançou meros 3%. O Grupo Pereira-Comper, líder no Mato Grosso; o Grupo DB, com forte presença em várias cidades da Amazônia; e o Yamada, que preside atualmente a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) não forneceram qualquer informação sobre suas políticas.

Nas últimas décadas mais de 750 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica brasileira foram destruídos. Aproximadamente 60% desta área virou pasto para gado. Atualmente existem mais bois do que seres humanos no país: são mais de 212 milhões de cabeças de gado. Só na Amazônia são aproximadamente 80 milhões de animais.

Contra invasores, índios usam tecnologia

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Com informações do Greenpeace

Em agosto de 2015, ativistas do Greenpeace trabalharam com 12 lideranças Ka’apor, moradores da terra indígena Alto Turiaçu, no norte do Maranhão, para começar a integrar o uso de tecnologia às atividades autônomas de monitoramento e proteção do seu território tradicional. Entre as ferramentas sugeridas e adotadas na ação pelas lideranças Ka’apor estão mapas, armadilhas fotográficas e rastreadores via satélite.

Lunae Parracho / Greenpeace
Armadilhas usam sensores de movimento e temperatura

Ativadas por sensores de movimento e temperatura, as armadilhas fotográficas têm o intuito de registrar atividade madeireira dentro da terra indígena, como a entrada e saída de caminhões, o que vai permitir rotas de origem e destino dos veículos que transportam a madeira obtida ilegalmente da área.

Lunae Parracho / Greenpeace
Terra indígena sofre com invasões de madeireiros e caçadores

Uma das últimas extensões remanescentes de Floresta Amazônica no Maranhão, a terra indígena Alto Turiaçu sofre com invasões de madeireiros e caçadores: até 2014, 8% (quase 41 mil hectares) da terra indígena foram desmatados. De acordo com dados do Sistema de Mapeamento da Degradação Florestal na Amazônia Brasileira (Degrad), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2007 e 2013, 5.733 hectares de floresta foram degradados pela exploração ilegal de madeira na região.

A gente faz essas ações porque a nossa realidade é a floresta. É na floresta que está a nossa vida. Sem a floresta, nós não somos os Ka’apor. ‘Ka’apor’ significa ‘moradores da floresta’ e por isso nós estamos defendendo ela Miraté Ka’apor,  liderança indígena

O que atrai os  madeireiros são as espécies nobres de madeira, como o ipê, cujo metro cúbico processado e exportado pode atingir o valor de até € 1,3 mil euros – pouco mais de R$ 5,7 mil.

Essas tecnologias aprimoram as atividades autônomas de vigilância e proteção territorial dos Ka’apor e conferem tanto aos índios quanto às autoridades a oportunidade de dar um basta na violência instaurada pelos madeireiros na região. Se com recursos humanos próprios e apoio tecnológico os Ka’apor conseguem fazer a fiscalização e proteção de seu território, por que o Estado não é capaz de fazer o mesmo? Marina Lacorte, da campanha da ‘Amazônia do Greenpeace’

Fotos: Lunae Parracho / Greenpeace