Carne livre de desmatamento?

O Greenpeace divulgou esta semana o relatório Carne ao Molho Madeira com informações sobre a política de aquisição de carne bovina oriunda da Amazônia de sete redes de supermercados – que juntas representam cerca de dois terços de todas as vendas de varejo em território nacional – e mapeia como as gigantes do setor vêm lidando com o problema. O resultado é que nenhuma delas atinge o ‘patamar verde’, ou seja, nenhuma das redes garante que 100% da carne que comercializa é livre de crimes socioambientais.

“Desde 2009 existem frigoríficos comprometidos com o desmatamento zero. Agora é a hora de os supermercados assumirem a mesma responsabilidade” Adriana Charoux, da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil

Dentre os analisados, o Walmart foi quem saiu na frente, com 62% dos requisitos considerados fundamentais. Atrás dele, o Carrefour atingiu 23%, enquanto o Grupo Pão de Açúcar (GPA), maior empresa do setor, apenas 15%. Na lanterna, o Cencosud alcançou meros 3%. O Grupo Pereira-Comper, líder no Mato Grosso; o Grupo DB, com forte presença em várias cidades da Amazônia; e o Yamada, que preside atualmente a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) não forneceram qualquer informação sobre suas políticas.

Nas últimas décadas mais de 750 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica brasileira foram destruídos. Aproximadamente 60% desta área virou pasto para gado. Atualmente existem mais bois do que seres humanos no país: são mais de 212 milhões de cabeças de gado. Só na Amazônia são aproximadamente 80 milhões de animais.